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Cuidado com a ditadura dos números.

Este Incrementando foi criado como um meio para vivermos nosso propósito:

HUMANIZAR OS NÚMEROS PARA PROSPERAR EM UMA NOVA ECONOMIA.


Em setembro e outubro, normalmente é o período em que as empresas dedicam tempo para elaborar seus planos estratégicos e desafios (metas, para quem prefere este termo) para o ano seguinte. Neste ano, em função da extremamente acirrada e polarizada eleição presidencial, notei que muitos negócios preferiram postergar um pouco esta atividade, pois a maioria dos gestores entende que cada um dos candidatos conduziria a economia em direções muito diferentes.

 

Porém, tem uma questão que vem me preocupando bastante: que nesse cenário de incertezas visualizado pelos empresários, fundamentalmente pela vitória do partido dos trabalhadores, é o risco de os negócios adotarem a famigerada ditadura dos números. Momento em que os números se tornam soberanos e costumam determinar as decisões de gestores e líderes. Deixam de ser referência e passam a ser a reverência. Os planejamentos são feitos de “baixo para cima” e dos números para as ações. Sócios e acionistas determinam quanto precisam e querem de lucro, os responsáveis pela área comercial definem um faturamento conservador com pouco ou nenhum crescimento, e os financeiros elaboram os orçamentos de despesas que caibam entre o faturamento e o lucro. Pode ser ainda pior, quando as projeções de faturamento também ficam sob a responsabilidade dos financeiros. E, os projetos são definidos para atingir os números, e não a partir dos desafios e oportunidades, até porque poucos acreditam que este último vá existir.

 

No entanto, essa ditadura tende gerar alguns estragos. Há um enorme risco de os principais patrimônios ficarem em segundo plano, e consequentemente serem dilapidados: clientes e colaboradores. Pois, o termo custo-benefício é esquecido, o que vale são as cifras e não o quanto cada R$ 1,00 gasto está agregando de valor. Então, um colaborador que custa “5” e entrega “20” pode ser trocado por outro que custa “2”, mas entrega “3”. A transportadora que entrega no prazo os produtos para os clientes, e é elogiada por estes, corre o risco de ser substituída por outra que cobra uma tarifa mais baixa, mas que pelo histórico tem uma assertividade menor.

Os números podem ser sedutores. Encontrar oportunidades de reduções de despesas tendem sempre a atrair os empresários, só que nesses momentos chegam a cegar. Os danos podem ser tão grandes que depois pode ficar difícil para consertar. 

Costuma ser uma tarefa difícil reconquistar clientes que foram embora porque não concordaram com as economias que a empresa decidiu fazer. Assim como, a dificuldade para contratar pessoas tem sido uma reclamação geral dos nossos clientes. Perder bons colaboradores pode custar mais caro no futuro, do que os ganhos no curto prazo.

 

Mas, não estou querendo dizer que os desafios não devem ser ousados, e que otimizar gastos não precisa ser uma busca continua. Afinal de contas, como diz um amigo: nada substitui o lucro. Empresas precisam dar resultados. Porém, o que quero lembrar é que eles não são a razão, mas sim a condição de existência de um negócio.

  

Clientes e colaboradores percebem quando o interesse da empresa está nos números e no dinheiro. A consequência é que colaboradores tendem a trocar horas por dinheiro, mas o que contribui para o lucro é a criatividade, os valores e o compromisso deles. Já os clientes por sua vez também querem ganhos, através de preços baixos e oportunidades.

 

Portanto, cuidado, a ditadura dos números atrai no curtíssimo prazo, mas pode ser cruel no médio e longo prazo.



Marcelo Simões Souza


 




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