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Juros subindo, o cuidado com o caixa precisa ser ainda maior.

Este Incrementando foi criado como um meio para vivermos nosso propósito:

HUMANIZAR OS NÚMEROS PARA PROSPERAR EM UMA NOVA ECONOMIA.



No último mês a Selic sofreu a 10ª alta consecutiva. Até dia 17 de março de 2021 essa taxa era 2%, e chegou no último dia 05 de maio a 12,75%. O que isto significa? A tal da Selic é a taxa básica de juros do Brasil, a qual regula todas as outras taxas de juros, inclusive aquelas que os bancos utilizam para oferecer recursos financeiros para as nossas empresas.

 

Para aquelas empresas que estão buscando dinheiro junto as instituições financeiras, esse crescimento, que por sinal foi muito expressivo (mais de 6 vezes), provoca nas taxas de captação um aumento proporcional, ou até maior. Pois, com juros mais altos, aumentam os volumes de despesas financeiras que os negócios precisam pagar, com isto os riscos de inadimplência também crescem, o que influencia nas margens que os bancos aplicam sobre a tal Selic, o que dão o nome de spread.

 

Com tudo isto estou querendo dizer que nesse momento os negócios precisam evitar o quanto for possível captar recursos junto aos bancos. A tendencia é que custe 6, 7, 8 vezes mais caro do que há um ano atras. Então, você deve estar perguntando: o que fazer?

A primeira, e mais importante providência é desenvolver, ou intensificar, estratégias para reduzir o ciclo financeiro. 

Já que, se o dinheiro ficar “parado” nos estoques e no contas a receber, ele não vai estar no caixa. E, por outro lado, quanto mais tempo conseguirmos demorar para pagar nossos fornecedores, mais tempo os recursos financeiros permanecem no caixa. E, na prestação de serviços, quanto mais tempo levar para executar e fazer os devidos processamentos administrativos (medição, emissão de nota fiscal etc.), mas vai demorar para o dinheiro entrar.

 

Agora, eu volto a insistir, o ciclo financeiro não se reduz só com vontade e reza, precisa de estratégias. Eu assisto as empresas desenvolverem estratégias para vender, reduzir custos e despesas, mas raramente presencio iniciativas para ampliar prazos de pagamentos, reduzir estoques e prazos de recebimentos.

 

Eu costumo dizer que resultados (lucro e caixa) dependem de faturamento, gastos, estoques, prazos de recebimento e pagamentos. Porém, o que depende basicamente somente de nós? Gastos e estoques. Portanto, além de gastos adequados ao faturamento, empresas precisam ter gestão de estoques.

 

Sou inconformado pelo fato de a grande maioria dos negócios não terem seus estoques “na mão”. É raro a empresa que consegue dar uma resposta precisa quando perguntamos qual o valor do estoque. Como gerenciar algo que não se conhece?

 

Uma outra prática comum e que pode ter uma importante interferência negativa: é comprar pelo histórico. Sem desprezar a experiencia que o passado nos traz, não é o método que recomendo. Por alguns motivos até óbvios, mas que acontecem. Um exemplo que já testemunhei for numa determinada empresa varejista, uma compra de protetor solar no fim do verão na mesma quantidade que vinha sendo comprado. Parece até um problema muito básico, mas dependendo de como o processo de compras está estruturado, compras semelhantes podem estar acontecendo na sua empresa. Além disso há a questão da mudança do comportamento do consumidor, que pode perder o interesse por um determinado produto ou determinada marca. Aliás, por causa dos aumentos dos preços, escrevi sobre isto no INCREMENTANDO anterior. Reitero, o passado costuma trazer bons aprendizados, mas gerenciar estoques é estar muito próximo do cliente para conhecer o que ele quer para o futuro.

 

A outra medida para cuidar bem do caixa, é planejamento e gestão dos investimentos. Antes de iniciar uma obra ou aquisição de um ativo, é fundamental um estudo de viabilidade que considere não só os impactos na lucratividade, mas também como serão os desembolsos e eventuais recebimentos ao longo do tempo. Além disto, exceto se a reserva seja muito, mas muito expressiva, normalmente não é a melhor alternativa investir com o dinheiro do caixa. Pode custar mais caro lá na frente. E, por fim, em investimentos não se pode deixar que as coisas saiam do planejado, porque também custa muito caro.

 

Cuidar do caixa sempre foi essencial para a prosperidade do negócio. Porém, agora com esse custo do dinheiro, pode ser crucial para a saúde.




Marcelo Simões Souza


 






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