Investir com Inteligência: Transforme Decisões em Resultados.
- 16 de jul. de 2025
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HUMANIZAR OS NÚMEROS PARA PROSPERAR EM UMA NOVA ECONOMIA.
Investir é indispensável para empresas que desejam prosperar. Na verdade, acredito que investir não é apenas necessário, mas obrigatório. Lembro que, quando comecei a estagiar, há 37 anos, computadores e softwares eram raros e praticamente exclusivos das multinacionais. Naquela época, nem sonhávamos com os famosos ERP’s. Hoje, a realidade é bem diferente: praticamente toda empresa depende de sistemas integrados para operar. Em seguida veio a internet e, depois, as redes sociais. Atualmente, é difícil imaginar um negócio sem um site ou um perfil no Instagram. Em todas essas fases, investir foi essencial.
A tecnologia continua transformando a forma como compramos, vendemos, prestamos serviços, produzimos e gerenciamos nossos negócios. No varejo alimentício, por exemplo, os totens de autoatendimento já são uma realidade, e inovações como sommeliers virtuais em supermercados estão ganhando espaço. A inteligência artificial está presente, apoiando de todas as formas negócios de todos os tipos. Nesse cenário de mudanças rápidas, o investimento contínuo é essencial para se manter competitivo.
Além disso, não podemos ignorar que máquinas e equipamentos se desgastam, lojas precisam de reformas para atrair clientes e o conhecimento precisa ser constantemente atualizado. Afinal, manter-se relevante exige adaptação e investimento contínuos.
O problema não está em investir, mas em como e quando isso é feito. Muitos gestores focam apenas em responder à pergunta "quanto vai render". Mas, frequentemente, esquecem de ponderar questões igualmente importantes, como "quando" investir e "como" isso impactará o caixa. E, não é raro ver empresas comprometendo seus recursos financeiros sem um estudo criterioso.
Uma análise malfeita pode fazer com que o investimento, em vez de trazer crescimento, se transforme em um problema. Isso ocorre especialmente quando o foco fica restrito ao impacto no faturamento ou na redução de despesas, ignorando o fator tempo. É fundamental analisar aspectos como: "em quanto tempo o retorno ocorrerá?" e "o fluxo de caixa será capaz de suportar o investimento?"
Em geral, os empresários têm um bom feeling para identificar as necessidades de investimento de seus negócios. Porém, a intuição, por melhor que seja, não substitui os números. No entanto, a viabilidade de um investimento — ou qualquer decisão financeira — vai muito além de analisar os impactos no faturamento e nos gastos. É essencial entender em que velocidade esses efeitos acontecerão, assim como o momento e a forma em que os recursos irão sair e entrar no caixa da empresa. Mesmo que o investimento proporcione um aumento no lucro, se as saídas financeiras ocorrerem muito antes das entradas, a empresa pode se ver em uma situação financeira crítica.
Imagine que uma empresa decide substituir um equipamento antigo por um mais moderno. Aparentemente, uma decisão lógica: o novo maquinário trará mais produtividade. No entanto, se não houver uma reserva financeira e a compra for feita por meio de financiamento, um parcelamento mal planejado pode trazer problemas. Se os pagamentos das parcelas coincidirem com períodos de baixa entrada de recursos, o que deveria ser um avanço pode se transformar em uma dor de cabeça. Para cobrir o déficit de caixa, pode ser necessário buscar crédito às pressas, normalmente com juros altos, o que pode corroer todo o ganho previsto com a nova máquina.
Aliás, fazer uma boa análise de viabilidade não é relevante apenas para grandes investimentos. Decisões como trocar um fornecedor, adaptar estratégias de marketing, aceitar um cliente com alto volume de vendas ou até "demitir" um cliente que não traz um retorno interessante, também precisam ser avaliadas.
Mas por que tantas empresas negligenciam essa poderosa ferramenta de gestão? Uma das razões mais comuns é o receio de lidar com estimativas. Muitos gestores se sentem inseguros ao projetar vendas, prazos de recebimentos, estoques ou pagamentos. Contudo, é importante entender que planejamento não é uma ciência exata. Ele é um conjunto de estudos e avaliações que, com as ferramentas certas, pode transformar incertezas em perspectivas confiáveis.
Por fim, um planejamento financeiro não precisa ser algo assustador. Com ferramentas simples e metodologias consistentes, é possível transformar incertezas em perspectivas confiáveis que facilitam as decisões. Investir é essencial, mas investir de forma bem planejada é o que realmente faz as empresas crescerem de maneira sustentável.
Marcelo Simões Souza




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